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Editora Abril testa novas tintas de impressão

A empresa está em processo de avaliação de tintas à base de matérias-primas renováveis, entre elas, o óleo de soja. Por enquanto, os resultados são bastante positivos

Em outubro, novembro e parte de dezembro do ano passado, todos os títulos da Editora Abril e peças terceirizadas ganharam uma pegada sustentável. Nesses meses, publicações como a Veja Retrospectiva e a Superinteressante foram impressas com uma tinta off set - normalmente usada em miolo de revistas de tiragem mais baixas, panfletos, tablóides, pôster, folder e uma gama de outros produtos - diferente: à base de óleo de soja. O produto integra a lista de novidades que passa por testes e faz parte do processo de reavaliação de todos os fornecedores da empresa, um procedimento padrão realizado a cada três anos. A nova tinta tem entre 10% e 20% de óleo do grão, índice que varia de acordo com a cor, e conta com o selo verde da American Soybean Association, que certifica artigos derivados de óleo de soja.

Após experimentar durante um trimestre - foram mais de 300 milhões de giro de produção -, a Abril está em fase de testes com outra off set, até o final deste mês de fevereiro. Esse fornecedor não tem certificação, mas leva um selo que garante a participação de 20% de elementos renováveis que não se restringem ao óleo de soja. A intenção é expandir esse limite, o que, além dos ganhos ambientais de diminuir o percentual de derivados de petróleo, contribui para a redução do valor final da mercadoria.

"Avaliamos em laboratório interno com relação a cor, constância de qualidade, teste de desempenho, consumo e performance. Por enquanto, elas parecem ser bastante similares às tradicionais, sem redução de qualidade ou diferença de preço", conta Wellington Gomes, supervisor da área técnica de impressões e materiais da Abril.

O próximo passo é encaminhar os resultados para a área de suprimentos. Se tudo der certo, a implantação irá acontecer ainda neste ano. Para a mudança ser ideal, a tinta de impressão rotogravura, usada na impressão de miolos de revistas de alta tiragem, também deveria sofrer transformações, mas esta caminha a passos mais lentos. Segundo o supervisor, seria interessante adotá-la, mas o mercado ainda não oferece o produto com apelo sustentável em escala comercial. "O que existem são pesquisas europeias com a tinta à base de água, mas os estudos são iniciais e os resultados ainda são inacessíveis", explica.

Manoella Oliveira

Planeta Sustentável
12/02/2010

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